Peter Murphy na Aula Magna: O regresso ao negrume e aos Bauhaus

A Aula Magna, em Lisboa, recebeu, na passada noite de segunda-feira, o cantor britânico por muitos considerado o pai do rock gótico, Peter Murphy. O músico, que dará apenas quatro concertos pela Europa - seguindo-se o Porto, Madrid e Londres -, foi recebido com sala esgotada por um público que o acarinha e que esperava revisitar não só alguns dos temas mais emblemáticos da sua carreira a solo, mas também da discografia dos Bauhaus.

Peter Murphy regressa à Aula Magna

Para muitos dos presentes, o reencontro com Peter Murphy representa o regresso à juventude vivida nos anos oitenta, às memórias e ao negrume das vestes que, este ano, revisitaremos mais vezes: recorde-se que pelo nosso país passarão nos próximos meses bandas como Sisters Of Mercy, Echo & The Bunnymen, Killing Joke, The Damned, The Mission ou The Cure.

De fato negro, uma rosa na manga do braço direito e olhar penetrante (que o confirme quem estava pelas primeiras filas), o músico britânico fez-se acompanhar em palco de Emilio China no baixo e violino e de John Andrews na guitarra, que nem sempre se encontravam em sintonia com o ex-líder dos Bauhaus. Já se esperava que durante o concerto existissem incursões semi-acústicas de alguns dos temas, mas o som nem sempre esteve ao nível da capacidade vocal de Murphy, como o mostrou no final a cappela, provando que ali o problema não era dele. E o público, fiel e efusivo, sempre o percebeu, nunca deixando de acompanhar o músico, em especial quando visitava o repertório da sua antiga banda.

Foi com “Cascade”, canção que dá título ao álbum de 1995, que longe do centro do palco e na penumbra das luzes Murphy deu início ao espetáculo. De seguida “The Secret”, “Indigo Eyes”, “All Night Long” e “Marlene Dietrich's Favourite Poem”, alguns dos temas mais marcantes da sua carreira a solo, prejudicados pelo som, salvos pela teatralidade do mestre de cerimónias.

O alinhamento não prometia grandes surpresas: seguiram-se “The Bewlay Brothers”, em jeito de homenagem a David Bowie, “A Strange Kind of Love” e “The Rose”.  O ambiente fechou-se; apenas rasgos de luz ora penetravam a audiência, ora delineavam a figura de Murphy e, como não podia faltar, a incursão aos Bauhaus fez-se com “King Volcano”, “Kingdom's Coming”, “Silent Hedges” e “She’s in Parties”, talvez o momento mais efusivo e onde por momentos esquecemos que quem o acompanhava em palco não eram os seus antigos elementos de banda. A linha de baixo, a melódica, e viajámos a 1983.

“Never Fall Out” e “Gaslit” fechavam a primeira parte do concerto, mas não se ficaria por aqui.  A volta ao palco é com “Lion”, música que partilha o nome com o seu mais recente trabalho, com a data de 2014”; “The Three Shadows”, segundo o próprio um “tema bonito”, porque não só de “lixo” é feita a discografia dos Bauhaus; “Hollow Hills” e, a fechar o primeiro encore, “Your Face” - que, pela despedida, se julgava ser ali o final do concerto Porém, e a cappela, a sala é preenchida por “Cool Cool Breeze”, num tira teimas aos problemas sonoros que maltrataram alguns temas e ouvidos, sobretudo os das primeiras filas. “I’ll Fall With Your Knife” é o adeus, mas podíamos ficar ali all night long.

Autor: Rita Sousa Vieira

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