17 de Agosto às 15:32, por Pedro

Calor, simpatia e bons sons

Que bela receção na aldeia de Cem Soldos! É impressionante a forma como a comunidade suporta o festival e se desdobra em esforços para que nos sintamos em casa - com sucesso, até agora. No meio de tamanha hospitalidade, até se podia pensar que a música passaria para segundo plano, não fossem os cativantes concertos de Filho da Mãe e A Naifa.

 

 

Bons Sons

 

Recordemos, antes de mais, o "dia zero": andamos quase 2km a pé até ao parque de campismo (com um enganozinho à mistura), despachamos as tralhas para dentro das tendas (mal sediadas) e vamos à procura de um bom sítio para jantar. Como de facto. Não é que a comida tenha sido alguma coisa do outro mundo, mas no final somos presenteados com um divertido karaoke e, algumas cervejas mais tarde, também mostramos os nossos "dotes" vocais em grandes "hinos" da música portuguesa. Travamos uma certa afinidade com os donos do restaurante, temos direito a uma "rodada" oferecida pela casa e nem queremos acreditar no preço (mais que simpático!).

 

As ofertas não se ficaram por aqui. No caminho de volta para o campismo estávamos a precisar de uma fartura para dar alento. Como já não estavam muito quentes, a senhora da roulotte oferece algumas para o caminho.

 

O banho matinal do primeiro dia oficial de Bons Sons foi, sem sombra de dúvidas, o melhor que já tomámos em festivais de verão. Benditos canos ao sol e uma água bem morninha! O calor tórrido durante toda a tarde é que já não foi tão agradável.

 

Vamos aos concertos: Nuno Prata
Nuno Prata, ao seu estilo plácido (e tímido, até), teve a honra de inaugurar o palco Giacometti. Contou as suas histórias de irónica resignação frente a um público sentado e atento. O chinelo de dedo prova uma informalidade que tem marcado todos os momentos do festival. No final, disse-nos que adora o cartaz do Bons Sons porque «pensas numa banda portuguesa fixe e ela está cá».

 

Não pôde ficar em Cem Soldos mais uns dias porque tem concerto marcado com os Ornatos Violeta para hoje à noite em Paredes de Coura. Antes de seguir viagem, respondeu-nos que não está ansioso por reencontrar os velhos amigos (Manuel Cruz, Peixe e companhia, entenda-se), até porque têm estado juntos muitas vezes nos últimos tempos e estão entusiasmados "porque as coisas estão a soar bem"; está é ansioso pelo reencontro com o grande público, dez anos depois. Na véspera de um acontecimento tão importante para a música portuguesa como o regresso dos Ornatos, era impossível contornar o tema.

 

Capitão Fausto

 

Seguiram-se os Capitão Fausto, no palco Eira, que promete ser o mais rockeiro. Um apontamento e uma pergunta. Apresentaram uma música do álbum que estão a preparar (e que começa a ser gravado no dia 1 de setembro) - apesar de mais distorção, não foge muito, infelizmente, ao registo protagonizado em "Gazela". A pergunta: há alguma razão especial para não tocarem a "Ela Não Acha Normal"?

 

Canequinha Bons Sons  

 

De volta ao "palco do público sentado", agora com mais sombras, encontramo-nos com a habilidade ímpar de Filho da Mãe. O guitarrista mostrou-se muito mais desinibido do que, por exemplo, em Novembro no Mexefest e deixou muitos impressionados. O nível foi crescendo: perto do final o Filho da Mãe troca a guitarra acústica por um bandolim e inova com a utilização de loops. Foi aí que arrancou as mais intensas palmas. Por esta altura já tínhamos comprado as nossas canequinhas (um dos símbolos do Bons Sons), que até à noite foi esvaziada várias vezes.

 

 

Filho da Mãe

 

Antes do concerto mais aguardado do dia, ainda vimos os espanhóis El Náan, que nos surpreenderam com um estilo world music enriquecido por criativas imagens, projectadas numa tela gigante. "Somos irmãos de uma mesma ibéria".

 

Sobre A Naifa não me atrevo a escrever muitos adjetivos. As imagens comprovam o sentimento com que cada tema é interpretado. "Monotone" e "Todo o amor do mundo não foi suficiente" foram os momentos mais arrepiantes. Para quê tentar discorrer sobre a "Saudade"?

 

A Naifa

 

O cartaz continua a prometer. E ainda há muito para descobrir nesta pequena grande aldeia.

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