22 de Dezembro às 14:48, por Luís

Música portuguesa para combater o frio

 

 

O Hard Club foi o espaço escolhido para receber o Natal antecipado no Porto. O Christmas Club foi a prenda e levou boa música portuguesa à sala de espetáculos neste fim-de-semana.

 

O cartaz do Christmas Club preocupou-se em agradar a todas as faixas etárias, sendo o palco secundário um pouco mais direcionado para a malta jovem que se esquecia, por momentos, da temperatura que fazia lá fora e mostrava as t-shirts das suas bandas preferidas, muitas delas já suadas pelo balançar intensivo dos corpos.

 

Natal não seria nem Natal sem o frio, e nesse sentido o Hard Club estava o mais natalício possível, tornando-se uma autêntica sala com lareira para os presentes.

 

Os PAUS tiveram a honra de inaugurar oficialmente o festival e desde logo agradeceram ao público por ter jantado tão cedo. E não haveria melhor forma de agradecimento do que retribuírem com um concerto estrondoso. Os PAUS são daquelas bandas que é impossível imaginar a darem concertos com 50 anos... ninguém com 50 anos aguenta aquela pedalada, seria curioso ver Hélio Morais e Quim Albergaria a destronarem na bateria com a mesma força com que o fazem no presente.

 

A banda apresentou o seu mais recente trabalho e quem assistiu vibrou com temas novos como “Deixa me Ser” ou “Malhão”, mas também mais antigos como “Mudo e Surdo” e “Pelo Pulso”. Não conseguiria imaginar melhor maneira de inaugurar este Christmas Club.

 

Além deste grande concerto inicial, é também de louvar a organização do evento, que ao contrário dos festivais de verão evitou sempre a sobreposição de concertos nos dois palcos. Houve sempre meia hora de intervalo nos concertos da sala 1, tempo usado para bandas menos conhecidas no panorama nacional se mostrarem ao público nortenho. Bandas como os Iconoclasts, vencedores do Festival Termómetro, e os The Doups, que já foram destingidos como uma das melhores bandas europeias sem editora deram bons concertos com o vocalista dos The Doups, João Rodrigues a acabar o concerto no público, sendo também obrigatório salientar a energia positiva que todos os elementos dos Iconoclasts transmitiram durante todo o concerto.

 

Os doismileoito, a segunda banda a atuar na sala principal - também com um novo álbum na mala -, trouxeram amigos com as letras na ponta da língua. “Quinta-feira” e a mais apropriada à data “Bife de Natal” foram algumas das que o público entoou. Enquanto isso os elementos dos PAUS tornavam o corredor do Hard Club numa zona comercial, vendendo CDs, vinis ou t-shirts - está a chegar o natal e as prendas não se pagam sozinhas.

 

A última banda a atuar foi o projeto de André Tentugal. Os We Trust mostraram um à vontade que não tinha sido possível ver nos seus primeiros concertos, trouxeram uma mini-orquestra de instrumentos de sopro e até a própria decoração do palco foi pensada de maneira a dar aos fãs um concerto inesquecível. Nem só do single "Time (Better Not Stop)" vive We Trust: todas as suas músicas transmitiram uma paz interior ao público, sendo realmente uma pena o fim do concerto.

 

Para alguns a noite continuou no palco 2, com o DJ Rui Maia (dos X-Wife) a animar o público que fez questão de adiar o sono. Os restantes foram para casa porque sábado houve mais e, por isso, havia também muita energia para recarregar.

 

 

Texto: Nuno Pereira

Fotos: Joana Ferrada

Facebook Partilhar