22 de Setembro às 13:17, por Pedro

B Fachada - Lux Frágil

B Fachada é melhor para fechar a semana? ou começar o fim de semana? ambos.

B Fachada - Lux
Há portugueses a manifestarem-se contra o governo da nação, há portugueses a servirem os turistas que alimentam a nação e depois há o português, que cantando em português, alimenta uma nação.
Segundo ele, não canta português e que se **** Portugal, ele canta em fachadez, sua língua paternal. Mas sem ser a ****, é bom português para os meus ouvidos.
Às 22h e 30min chego a Santa Apolónia para ir ver a sua actuação meia hora mais tarde. O concerto é no Lux Frágil, que desconhecia, por isso quando saio do metro e vejo um cruzeiro maior que o Terreiro do Paço e à minha esquerda uma discoteca ou clube super "in", arrependo-me de ter trazido calções. Eu sei, não se sai à noite de calções, especialmente na primeira noite de outono, principalmente para o Lux. 
Mas nada me é dito. Boa.
O clube é grande e cheio de classe. Ou requinte, depende do teu gosto.  Desce-se uma sala cheia de luz negra, mas que até de luz negra estava pouco iluminada: assim sim, há condições intimistas visuais para um concerto.
A espera não é longa. Nem o cantautor nem o seu público demoram a preencher a sala. E ele começa bem.
B Fachada - Lux
A minha vida "fachada" começa da pior forma, há dois anos, quando oiço cantar como um moribundo letras que são nada menos que estranhas e que pouca balada têm. Mas o meu ouvido só precisou de dar uma segunda oportunidade e foi conquistado. Com B Fachada há poesia, há melodia, há génio. De músicas eruditas a hinos à banalidade, tudo é arte e único.
Passo meses a absorver todas as músicas até 2012 como se fossem parte natural de mim. Finalmente, em Julho, vou ver ao vivo pela primeira vez nos jardins do Museu do Chiado. Desilusão. Não conhecia o novo álbum e ele pareceu desleixar-se na sua performance.
Felizmente, todos os meus sentidos puderam dar-lhe esta segunda oportunidade de serem conquistados. Sem vento, sem luz, sem pessoas de postura picnic (que desta vez pagam para ver e não vêm porque é de graça): estavam reunidas todas as condições para um concerto intimista.
 
B Fachada - Lux

 

Há tempo para não praticar habilidades, mas especialmente para cantar Criôlo, o tal álbum novo, que é uma aposta arriscada do artista mais arriscado do momento da musica portuguesa.
O álbum dança-se, canta-se, leva-nos a África, leva-nos aos anos 80 até. E o desempenho de fachada é entrega, paixão e de genial criador. Apenas há desentendidos na comunicação com a plateia, mas isso é tao agradável como a sensação que tem um apaixonado pelo alvo da paixão lhe dizer que está frio.
Banalidades resultam. Pelo menos com B Fachada.
No publico há balanço, admiração e coro, com betinhos e hipsters a dominarem a amostra, mas com direito ao ocasional casal de meia idade apaixonado e aos alternativos.
É impossível não ficar cativado com o estilo de produção das músicas, com os três teclados, imensos sintetizadores ou o que quer que seja que dá as gravações e possibilidade do mágico one man show.
Há 2 regressos ao palco, por aclamação do público, e com a resposta que deu, 2 foram pouco. 

Mané foi o momento alto da noite, mas Kit de prestidigitação e Estar à espera ou procurar foram clássicos que deliciaram a plateia.

B Fachada - Lux

Entre nós, fui eu que proporcionei à plateia o momento acústico da espera e procura: no ultimo regresso ao placo, todos pediam Zé e quando se calam digo estar a espera ou procurar, muito rápido e envergonhado, mas a verdade é que imediatamente foi essa a tocada.

Foi um concerto feliz, para a plateia, autor e espero que clube Lux, e seu co-dono, Malkovich. Porque num evento assim vale a pena investir, tempo e dinheiro e mais se for preciso.

Há sempre a sensação de que faltou aquela música, mas o sensacional em B Fachada é que há sensação de que faltaram todas as outras, mas para ir ao céu bastou ouvi-lo num refrão

Texto por Pedro Cisneiros

Fotografias por Mariana Stoffel

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