Mesa ao vivo
15 de dezembro
Teatro Villaret, Lisboa
15 de dezembro
Teatro Villaret, Lisboa
16 de Dezembro às 19:46, por Pedro
Os Mesa estão de volta e apresentaram o seu novo álbum ontem no Teatro Vilarett, num concerto curto e quase sempre pouco entusiasmante. A casa ficou pela metade.
A estratégia de venda do álbum com bilhete incluído parece não ser a mais acertada. Para quem não quiser comprar o disco, o preço para assistir ao concerto pode ser desencorajador. Tal como no concerto de apresentação do álbum dos doismileoito, no Santiago Alquimista, também ficaram muitos lugares por preencher na apresentação do novo projeto de João Pedro Coimbra e Mónica Ferraz.
A noite começou com 3 músicas de rompante. A banda não quis adiar um dos melhores trunfos: “Cedo o meu lugar”, a nova coqueluche das redes sociais e das rádios, foi logo a terceira música. É indiscutivelmente boa. A pouca comunicação verbal com o público no início do concerto foi, afinal, tónica dominante até ao fim. Isso explica o facto de ter demorado menos de hora e meia. A gravidez de Mónica Ferraz não lhe permitiu grandes movimentos. A voz, essa, foi exímia. A banda também foi pouco exuberante nas expressões, mas cumpriu com competência a principal função. Ou seja, o concerto foi coeso e bom no essencial, mas faltaram os adornos. E o público nunca se desinibiu muito. A nula decoração do palco foi colmatada com um jogo de luzes complexo e bem sincronizado com o som.
Entre a pop e a electrónica, houve um crescente de distorção ao longo de todo o concerto. A diversidade do disco, espelhada no alinhamento, acrescentou-lhe qualidade. Em “Teia” sobe ao palco Armando Teixeira (Balla). Achei a letra pouco elaborada e a mistura de vozes não muito feliz ou necessária. Também “Automático”, homónima do álbum, fica, na minha opinião, aquém daquilo que a banda já produziu – as letras já foram mais elegantes. Como pontos altos do concerto ficam “Meio Bicho”, com agudos incríveis do vozeirão de Mónica Ferraz e “Fitas”, com um instrumental excelente – muito electrónico -, ao qual era impossível não bater o pé. Um momento em que apetecia estar levantado a aproveitar todo o fulgor. Talvez se tenha dado aí a mais forte transferência de energia entre a plateia e o palco.
Para o encore ficaram três temas mais antigos (e incontornáveis): “Quando as palavras”, “Luz Vaga” e “Vício de Ti”. Como estas todos conhecíamos, a banda pediu-nos que cantássemos a última música. O pedido foi acedido, embora o volume não tenha sido alto. Como disse, o público nunca se soltou muito. “Espero que tenham gostado”, despediu-se Mónica Ferraz. Mais ou menos...
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