09 de Julho às 14:39, por Repórter

A cavalaria techno dos Chemical Brothers

Não se sabe se alguém chamou a cavalaria para salvar uma sucessão de concertos cancelados, mas esta acabou por chegar. Depois da magra actuação dos 30 Seconds to Mars, coube aos Chemical Brothers fechar com um sorriso - e uma discoteca ao relento - o dia mais atribulado do Alive!11.

Quem canta seus males espanta. Mas dançar também pode resultar, ou pelo menos parece ter resultado para os milhares que estiveram esta sexta-feira no Passeio Marítimo de Algés. Sobretudo porque a música foi servida por uma dupla confiável como os Chemical Brothers, que deram luz e ritmo à multidão do Palco Optimus.

O cavalo gigante de "Horse Power", uma das primeiras de muitas figuras projectadas nos ecrãs, parece ter trazido o fôlego que faltou ao recinto durante o dia. O que se seguiu foi uma corrida, em modo shuffle, pela discografia do duo britânico. Parecendo que não, Ed Simons e Tom Rowlands já andam nisto há vinte anos, o que os torna numa espécie de avôzinhos da música de dança, mas ninguém lhes dá a idade: dentro do género, poucos podem orgulhar-se de ter um percurso tão consistente e espectáculos tão impressionantes.

Claro que haverá sempre quem não ache especial graça a um concerto em que os músicos se escondem atrás de maquinaria (olá Dave Grohl). Já quem aderiu às regras do jogo contou com uma aliança ambiciosa e certeira de som e imagem, fruto de uma máquina bem oleada que sabe o que fazer para agitar os músculos.

Nos três ecrãs desfilaram grupos de robôs, palhaços algo macabros ou casais de namorados, parte de uma componente visual que atingiu o expoente máximo em "Believe", o momento "Encontros Imediatos do Terceiro Grau" da noite - durante alguns minutos, quem passasse pelo recinto julgaria estar perto de uma gigantesca nave espacial, tal o brilho que o palco irradiou. Mas essa canção destacou-se também como uma das mais frenéticas, até porque surgiu num mashup com "Saturate", de longe outro dos temas mais consensuais do alinhamento - e cuja batida, alternando entre o minimal e o explosivo, foi brincando com as expectativas de alguns espectadores menos familiarizados com o tema. Em ocasiões como esta, ou como nos inevitáveis "Hey Boy Hey Girl" ou "Block Rockin' Beats", a rendição do público foi quase total.

As transições entre estes picos e outros momentos é que nem sempre foram tão eficazes, tornando a actuação por vezes mais funcional do que excitante (ou seja, não foi desta que a dupla superou o memorável concerto na Estação do Rossio, embora aí o espaço também tenha ajudado). Talvez por isso tenhamos visto algumas desistências (seriam fãs de Dave Grohl?), mas também reparámos no visível contentamento da maioria dos espectadores, tanto dos que apreciaram calmamente o espectáculo - cruzando-o com breves conversas ou um copo de cerveja -, como dos que se deixaram infectar - e muito - pelo contágio rítmico. "The brother's gonna work it", ouviu-se entre a carga big beat de "Leave Home". E se os Chemical Brothers não resolveram propriamente o problema, pelo menos salvaram a noite no Palco Optimus.

 

Texto @Gonçalo Sá / Fotos @Ruben Viegas/EIN

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