Optimus Alive 2011
6 a 9 de Julho de 2011
Oeiras
6 a 9 de Julho de 2011
Oeiras
08 de Julho às 03:26, por Raquel
Ao nosso lado estão três fãs. Mas não três fãs quaisquer: vieram da Noruega para os quatro dias do Alive. Quando lhes perguntámos quem no cartaz as fizera comprar o bilhete não hesitaram: Foo Fighters.
Dave Grohl chegou ao palco no meio de saltos e gritos. Com o seu inconfundível cabelo escuro e comprido e o seu fio com uma cruz prateada só fazia uma coisa: puxar pelo público. Depois de Iggy & the Stooges e Xutos & Pontapés, a atmosfera era electrizante. A bateria estava imparável. Assistíamos a um ambiente verdadeiramente rock & roll.
It’s all coming down: pedaços da letra que fazia todo o sentido aplicar àquela audiência.
Gritos até ficar sem voz. Tudo o que se distinguia entre o vocalista e todas as pessoas no recinto resumia-se numa simples palavra: cumplicidade.
Um foguete ergueu-se bem à nossa frente. Daí ficou a beleza do efeito, o fumo e o susto. Bem, e o cheiro a queimado.
Em ritmo acelerado, o vocalista cumprimentava, finalmente, Lisboa. “Hi! Nice to meet you!” À plateia perguntou se estavam preparados para a música e para o concerto que se avizinhava. Arrotou. Não é bonito, mas é verdade. Era apenas o início daquilo que não poderia ser melhor descrito do que citando o próprio Dave: “a long night”. Deixem-me acrescentar long, long, long (…) night.
Learn to fly soava igual ao CD: cada uma das guitarras, a bateria. Dave Grohl suava e dava espaço para o solo dos espectadores. Apresentando o novo álbum, um fã da banda confidenciava-nos que esperava ansiosamente por A matter of time.
No palco tocava-se uma música nova e, sinceramente, não percebi uma única palavra. Os operadores de câmara apanhavam um plano em que Dave se distanciava com a imensa nuvem de pessoas a seus pés – no sentido literal.
Tentei acompanhá-lo nos seus gritos mas ao fim de três sons só me valeu uma garganta dorida. Os olhos do vocalista percorriam incessantemente a audiência e ele admirava verdadeiramente toda a entrega de cada um dos empoeirados ali presentes.
Breakout foi dedicada aos fãs – a primeira de muitas – e no fim da música Dave pediu ao público que o deixasse repetir para que ele – sozinho! – pudesse cantar.
“I like you people” foi a única exclamação que conseguiu fazer.
Foi a altura de apresentar toda a banda: Nate Mendel, Taylor Hawkins, Chris Shiflett e Pat Smear. Não lhes poupou quaisquer elogios. Hawkins, o baterista, dançou e fez o público delirar. Risos e aplausos eclodiam de todos os cantos – o ambiente assemelhava-se a um pacífico campo de batalha. Dave Grohl disse que até pelo amor do melhor amigo, Taylor, tinha de lutar e que era injusto. Acabou por admitir – depois de gritos de reprovação – que o público gostava mais de Taylor que ele.
Seguiram-se battles de guitarra, solos arrepiantes, pratos que vibravam e voltavam a vibrar.
Atrever-me-ia a dizer que qualquer pessoa parecia mais cansada do que qualquer um dos elementos da banda.
“Rock and roll is all about people and instruments, not fuckin’ computers”. Em tom de aviso, Dave mascava pastilha e destacava a autenticidade do som da banda que gravou o primeiro álbum ainda em cassetes.
“One more?” Sim. “Ten more?” Alguém atrás de nós disse: “TRINTA!”
Começavam os suspiros. O teclista utilizava um curioso capacete. Best of you levou o público ao êxtase: todos cantavam, gritavam, choravam, até. A emoção invadia o espaço, a noite. Fez-se silêncio em palco e todos os festivaleiros prosseguiram a cantoria.
“I’m not done yet!”, gritou.
No encore, Times like these foi dedicada ao público e Young man blues elevou o concerto e a cumplicidade entre a banda e o público a um novo nível.
Entre a maratona do vocalista, a descontração e os arfares chegávamos ao fim. Ao fim de 2h20m de concerto que acreditamos que poderiam ter durado até de manhã se do público tal dependesse.
“If we come back… Will you come back?” a pergunta ficou no ar.
E quem não respondeu tinha estampado na cara: “Hell yeah”.
(E se ia tentar comparar ontem e hoje é-me impossível. O tempo foi mais, a entrega mais, a dedicação foi maior assim como a simpatia, o calor e a conversa. Como tudo. Se havia menos gente hoje, acreditem que pareciam mais que ontem. Um concerto de outro mundo.)
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