Sérgio Godinho ao vivo
25 de novembro
Coliseu dos Recreios, Lisboa
25 de novembro
Coliseu dos Recreios, Lisboa
26 de Novembro às 14:02, por Pedro
Pais e filhos de abril no Coliseu. Mais pais, que viveram o florescer da liberdade e agora a vêem ser lentamente amputada. O concerto foi de apresentação de «Mútuo Consentimento» – de teor não tão interventivo –, mas era impossível contornar o ADN de Sérgio Godinho e a situação atual do país. Durante quase duas horas, o cantor, acompanhado pelos Assessores e, a tempos, pelo grupo Roda de Choro de Lisboa, percorreu os 40 anos de discografia e deixou um Coliseu quase cheio absolutamente extasiado.
O concerto foi adiado para dia 25 devido à greve geral. É certo que a maior parte da população em protesto não teria carteira para ir ao Coliseu, mas este espetáculo encaixava na perfeição no culminar de um dia de luta. Inicia-se com três músicas do mais recente álbum. “Mão na Música” é um hino falado, que exprime solenemente o poder e os efeitos da música casada com a poesia. Coincidindo com o alinhamento do álbum, seguiram-se Bomba Relógio e Acesso Bloqueado, que foi precedida do cumprimento de Sérgio Godinho à plateia: é noite de «músicas novas e menos novas, mas atuais». Definitivamente.
Alternadamente, duas cores tomaram conta do palco durante todo o espetáculo, anunciando o cariz dos temas: o azul, e o vermelho dos cravos e da contestação. Sérgio Godinho vestiu-se de preto.
«O país está de pantanas, ninguém o varre», exclama, dando mote para «Já joguei boxe, já toquei bateria», «A vida é feita de pequenos nadas» e «Arranja-me um emprego». É a partir deste pack revolucionário que se intensificam as palmas. Em «Arranja-me um emprego» foram mesmo algumas pessoas a aplaudir de pé. De facto, estas músicas são, infelizmente, completamente atuais.

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