03 de Dezembro às 15:30, por Pedro

Noite bonita na cidade

No que toca à música cantada em português (também com sotaque) no primeiro dia do Vodafone Mexefest, a Banda Mais Bonita da Cidade não surpreendeu; pelo contrário, os Capitão Fausto provaram merecer ser levados a sério. PAUS dispensam apresentações. A festa deu-se em todo o lado: nas salas, na rua, no Vodafone Bus, nos quiosques e até nas carrinhas de transporte. Com a  Avenida da Liberdade tão bem frequentada, nem precisávamos de chocolate quente para aquecer.


 

 

A noite começa no terraço do Hotel Tivoli. Lá fora, uma vista privilegiada sobre Lisboa; lá dentro, os simpáticos Julie & The Carjackers, que durante meia hora trouxeram de volta a primavera, com muitos temas frescos do novo álbum, «Parasol». Difícil é definir o estilo, mas entre o jazz e músicas mais aceleradas, o destaque vai para o requinte dos solos de guitarra e para os momentos em que se cruzaram três vozes. Valeu pelos detalhes.

 

Segui para Capitão Fausto, na Estação de Metro dos Restauradores. Tão bom! A voz, as letras, o contacto com o público, os riffs viciantes: tudo cheirou a jovem. O cenário, com a malta toda a dançar de início ao fim, fez inveja a muitos videoclips e vídeos promocionais. A mistura de pop e rock & roll pouco maduro promete levá-los longe. «Ela não acha normal» e «Teresa», single com videoclip do novo «Gazela», foram porventura as mais concorridas. Foi a primeira vez que os pude ver ao vivo e foi a primeira grande oportunidade da banda para alargar o seu público (mantendo a ideia de «garagem» que o Metro proporciona): tiveram estofo e aproveitaram-na! É caso para dizer que há adolescências esclarecidas. Para quando o próximo? Eu vou.

 

Na Casa do Alentejo a Banda Mais Bonita da Cidade deu um dos concertos mais aguardados da noite. Para além dos que quiseram comprovar a força dos refrãos, este era um concerto para os casais e isqueiros. Mas a estreia da banda em Portugal começou morna. Há um grande fosso entre os maiores êxitos que se tornaram virais no Youtube e o resto do repertório. No início, com uma acústica pouco limpa, chegou a ser difícil compreender as palavras que Uyara cantava. As suas expressões exageradas pareciam muito forçadas, e só quando a vocalista agradeceu comovida ao público e explicou a sensação que a banda teve quando se apercebeu das proporções da «Oração» é que dei a mão à palmatória e concluí que eram genuínos os sorrisos tão largos como o Oceano Atlântico que a vocalista não parava de esboçar.

 

«Se eu corro» pode ter sido o ponto de viragem no concerto: sentimentos aguçados e muitos olhos a brilhar. Um momento bonito, seguido de «Boa pessoa», «Me dá um sinal»  e uma sala a abarrotar de nostalgia. Aquelas músicas por que todos esperavam... Cantadas por todos. Momentos fantásticos. O fato da banda ter batido palmas ao público por várias vezes explica bem o que se passou. Na outra ponta da sala há tempo para a «Balada em contramão» em acústico e uma versão da «Capitão Romance» dos Ornatos Violeta. Têm bom gosto e a música soa bem com cavaquinho. Chega a «Oração»: altura em que todos os que tiveram inveja por não poderem estar presentes na gravação do videoclip cantaram a plenos pulmões e recriaram a festa que se fez naquele apartamento. «Deus abençoe a ginja» foram as últimas palavras antes da despedida.

 

Quanto a PAUS há pouco a dizer: voltaram a partir tudo. Joaquim Albergaria pede aos fotógrafos que se afastem da frente do palco porque o concerto é para o público, enquanto que Hélio Morais pede que lhe prometam que seja «uma noite memorável». Numa estação de Metro sobrelotada, foi de cortar a respiração.

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