Vodafone Mexefest
2 e 3 de dezembro
Lisboa
2 e 3 de dezembro
Lisboa
04 de Dezembro às 16:47, por Repórter
Ontem à noite, duas louras concentraram atenções no Mexefest. Oh Land, com a sua popzinha dançável, era das mais aguardadas e esgotou a Sala 1 do São Jorge. Mas foi EMA que decididamente nos conquistou, no andar de baixo, com um rock que arranha a alma.
"Às vezes tenho necessidade de fazer isto... não sei porquê, mas tenho", desabafou a norte-americana Erika M. Anderson, ou EMA, entre sorrisos tímidos, a meio do seu concerto na Sala 2 do Cinema São Jorge. Por "isto" entenda-se um rock catártico, mas nunca auto-indulgente, a que a cantora e compositora de pouco mais de vinte anos se entregou com uma maturidade desconcertante. Já era assim no seu álbum, "Past Life Martyred Saints", uma das surpresas deste ano, e o fulgor manteve-se numa atuação que sugere estar aqui uma eventual (e muito inspirada) descendente de PJ Harvey, Kim Gordon, Scout Niblett ou até Kurt Cobain (não por acaso, fez uma versão de "Endless Nameless" para o disco de tributo a "Nevermind" da revista Spin).
O concerto não chegou, infelizmente, a durar uma hora, mas serviu para mostrar a versatilidade de canções que fazem conviver indie rock, algum shoegaze, pontuais incursões drone e noise e outras que espreitam a folk ou a dream pop, sempre em tom lo-fi. O melhor é que, muitas vezes, essa convivência está longe de ser pacífica - como em "The Grey Ship", uma das primeiras do alinhamento, cuja serenidade inicial (que uma Bat For Lashes não desdenharia) foi abruptamente rasgada por explosões de guitarra, bateria e violino servidas pelos três músicos em palco.
"Este é o nosso último concerto de uma digressão de três meses e aqui é um bom local para terminar", diria ainda a um público que, se não tornou esta uma das atuações mais disputadas do festival (embora a sala tenha estado sempre bem composta), acompanhou-a com o interesse e respeito merecidos. E valeu a pena ficar até ao final para ver - depois arrepiante "Marked", da fúria de "Milkman" ou da versão de "Add It Up", dos Violent Femmes -, uma "California" cantada enquanto EMA foi enrolando o cabo do microfone ao pescoço, usando-o também como venda - até aí, os seus olhos já tinham sido habitualmente cobertos por uma longa franja loura. Tal como a música, esta componente algo teatral não precisou de muitos recursos para intrigar e inquietar, acompanhando uma breve sucessão de canções ora doces, ora agrestes (com fronteiras nem sempre óbvias) que tem lugar cativo entre os episódios mais memoráveis do festival.

Depois de tornarmos nossa a catarse de EMA, subimos rapidamente as escadas para nos juntarmos à festa de Oh Land, na Sala 2 do São Jorge. Uma festa muito concorrida, diga-se, e que deixava já muitas dezenas à porta antes da chegada de Nanna Øland Fabricius (Oh Land é de fato um nome mais imediato). Se James Blake foi, para muitos, o rei da noite, a jovem dinamarquesa terá sido a princesinha, e daquelas que acolhe os seus súbditos sem qualquer sinal de altivez - miss simpatia do festival também seria uma distinção merecida.
Saltitante, comunicativa e afável, deu mais cor à paleta já de si luminosa do seu segundo disco, de título homónimo (editado este ano), casa de canções eletrónicas, dançáveis e por vezes jazzy. Sia surge-nos como referência próxima, uma Lykke Li dos primeiros tempos também - até porque, à semelhança da sueca, Oh Land gosta de intercalar os momentos em que canta e dança com breves participações especiais na bateria.
Além de satisfazer os apetites de quem procurava um concerto pleno de luz e canções borbulhantes, a loura mais popular da noite mostrou-se feliz por estar em Portugal - fora do seu país, "onde fica tudo escuro às três da tarde" - e confessou-se apreciadora de pastéis de Belém. Elogiou o público, que também não se cansou de a elogiar ("És lindaaaa!" foi talvez a frase mais emblemática da atuação) e tentou aproveitar o encore até aos últimos segundos.
Não desfazendo do empenho da simpática nórdica, ficámos muito mais rendidos à contenção pele e osso de EMA, que em cinco minutos concentrou mais intensidade do que a cerca de uma hora de atuação de Oh Land. Seja como for, a dinamarquesa teve aqui, junto dos fãs, uma missão mais do que cumprida através de um concerto funcional, a espaços divertido e com três ou quatro canções pop certeiras (destaque para "Sun of a Gun" e "Human"). Depois disto, prevê-se que não falta muito para Nanna Øland Fabricius voltar a saborear pastéis de Belém.
Texto @Gonçalo Sá / Fotos @Pedro Pereira
EMA - Videoclip de "Marked":
Oh Land - Videoclip de "Sun of a Gun":
ver todos »
03 de Dezembro às 18:31
Foi, talvez, o casal mais cool a passar pelo Mexefest e o culpado da primeira enchente no Tivoli. Senhoras e senhores, »
27 de Novembro às 19:29
Com um pé na tradição e outro na modernidade, dois projetos nacionais marcaram o início e o final de sábado no »
05 de Setembro às 02:17
Autor: onthehopFesta do Avante 2011 - dia 3 Visite a galeria de »