"I See You", dos The xx: Amadurecer sem esquecer as origens

Cinco anos depois de "Coexist" e oito depois de "xx", os The xx estão de volta. "I See You", mais do que um álbum muito aguardado, é a prova que os britânicos estão crescidos: largaram o nervosismo e alguma ingenuidade nas suas letras, mas não perderam a identidade que contagiou o mundo.

The xx

Em 2015 tivemos um breve cheiro daquilo que os The xx são, com “In Colour”, álbum de estreia a solo de Jamie xx. Nota-se que este disco influenciou o estilo que a banda veio apresentar neste “I See You” mais pop, mais dançável (nada que não fosse possível no outro). E com este amadurecimento da banda, o trio largou os dramatismos e também os sinais de um som muito arrumadinho, leve e organizado. Aqui os The xx tentaram romper com este pragmatismo, como se ouve em "Dangerous", logo no início do álbum.

Equilibrado do início ao fim, "I See You" (título que é inspirado num verso de "I’ll Be Your Mirror", dos Velvet Underground) segue o mesmo tom lírico que os outros discos, o do desencantamento amoroso, mas com um ligeiro revés. O da busca pela segunda oportunidade, que nada está perdido. É isso que ouvimos no primeiro single, o brilhante "On Hold", que é uma mescla de antigos The xx e novos The xx, ou no intrigante "I Dare You".

Romy, em "Performance", arrebata-nos com a sua voz. Também a presença subtil do violino faz com que este tema seja dos melhores em todo o álbum. Aliás, naquele que é o primeiro grande álbum que 2017 nos traz, o que verificamos é que temos mais um equilíbrio entre a voz de Romy, a guitarra do Oliver e a eletrónica que junta tudo de Jamie. Mais um sinal que isto é como o vinho. Melhora com os anos.

Os mais saudosistas irão queixar-se que os outros álbuns foram melhores, com mais impacto.. Mas esta versão dos The xx, mais segura e mais alegre, está de boa saúde. Recomenda-se e dança-se.

Autor: Carlos Vieira

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