Lisboa Dance Festival, dia 2: Uma despedida com sabor a verão

O Lisboa Dance Festival foi a verdadeira romaria da música eletrónica, capaz de agradar a gregos e a troianos, com sonoridades mais alternativas mas também pop, ao longo de dois dias na Lx Factory. Se o balanço final deste segundo ano de festival é positivo também se deve e muito ao segundo dia, que se destaca com os concertos de Branko, Conjunto Corona e Hercules & Love Affair.

Mai Kino

Diretamente de Londres, Mai Kino veio mostrar que o talento nacional anda bem representado lá fora. A portuguesa, dona de uma voz leve e de certa forma tranquilizadora, espalhou amor pela Lx Factory. Este alterego de Catarina Moreno interpretou temas próprios que faziam em muito lembrar sonoridades pop eletrónico dos The xx. Já na reta final ouvimos a interpretação dela de "Wicked Games", de Chris Isaak, que terminou com muitos casalinhos a dançarem abraçados.

Conjunto Corona

Passamos para outro estado de espírito totalmente diferente. Quem sabe o historial do Conjunto Corona, por exemplo do leak do álbum num site pornográfico, sabe que eles costumam surpreender tudo e todos. E foi isso que aconteceu. No lugar menos provável, na livraria Ler Devagar, o coletivo portuense fez-se acompanhar de hidromel para apresentar Cimo de Vila Velvet Cantina, que teve de tudo. Ode a José Cid, com o Chino no Olho, louvores a "Gon-do-mar" ou ainda com a presença Mike el Nite para o Meio Crocodilo, tudo para confirmar uma expressão muito usada ao longo do concerto. “Vocês são muito gentis”. Para ver depois noutra sala de espetáculos...

Branko

Se na véspera tínhamos sido brindados com uma curadoria do Moullinex, no sábado Branko ficaria encarregue das hostes do palco situado no edifício onde está situada a Volta, a oficina criativa. Aqui, ao longo da noite a procura foi muita e, após a atuação dos Corona, ainda vimos um pouco do set de Kking Kong, que aqueceu (e de que maneira!) a pista de dança para Branko. Com sons tropicais, fossem eles africanos ou latinos, tudo foi pretexto para prepararmos para a volta ao mundo que o Branko nos dá sempre com o seu "Atlas". Se visualmente o acompanhamos com imagens dele pelos vários cantos onde espalha os seus sons, a nível sonoro somos cativados por Cachupa Psicadélica ou Princess Nokia. É um bilhete de volta ao mundo mas sem sair de lado nenhum.

Hercules & Love Affair

Nome forte do cartaz, o conjunto norte-americano irradiou todo o espírito pop e todo o suor que se gastou a dançar. A banda que chegou a contar com a presença de Antony Hegarty num longínquo 2008 (e que depois veio a colaborar no grande hino pop que é "Blind") assenta no DJ Andy Butler e a em dois vocalistas que espantam até os descrentes. Mas é errado pensar que a banda se apoia apenas no hit, já que é com "Do You Feel the Same" ou "You Belong" que se recheia um concerto que contou com temas novos (como o single "Controller") muito bem recebidos pelo público. Nota negativa pelo facto de saber a pouco, foi um concerto demasiado curto para quem era o nome forte do festival.

Holy Nothing

Enquanto decorria o concerto dos Hercules & Love Affair, quem decidisse ficar pelo Ler Devagar também ficava bem acompanhado pela eletrónica contagiante dos Holy Nothing, que navegam à boleia do álbum "Hypertext", que os levou a palcos como os do festival SXSW, no Texas.

Rui Maia, Enchufada na Zona, Hunee e George Fitzgerald foram os nomes que fecharem as portas da Lx Factory e do Lisbon Dance Festival deste ano, deixando a sensação de que na próxima edição estaremos todos a descobrir novos talentos do mundo da música de dança.

Fotos: Pedro B. Maia

Autor: Carlos Vieira

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