Skunk Anansie no Coliseu dos Recreios: 23 primaveras e uma festa de arromba

Reino Unido, 11 de fevereiro de 1994. Skin, Ace, Cass e Mark Richardson juntavam-se pela primeira vez enquanto Skunk Anansie, que tantas alegrias deram ao longo de duas décadas. Embora com um hiato de oito anos pelo meio, no passado sábado os britânicos fizeram questão de apagar as velas perante um Coliseu dos Recreios lotado.

Skunk Anansie 10

Lisboa, 11 de fevereiro de 2017. Depois de uma primeira parte a cargo da dupla roqueira The Pearl Harts, Skin e companhia voltam a pisar o palco do Coliseu de Lisboa, cinco anos depois. Entretanto, a banda editou Anarchytecture, o motivo para este regresso.

À entrada, percebe-se que Skin ainda é uma fera de palco, e isso é provado desde do minuto um, com o “And Here I Stand”, sempre sem perder energia ao longo de quase duas horas de concerto. Com direito a vários croudsurfs, abraços aos público, corridas de uma ponta à outra, ela não abranda, até às primeiras palavras dirigidas ao público. Além dos muitos agradecimentos, a vocalista avisa que também cantará algumas canções antigas.

O novo álbum é um pretexto para revistar outros temas e fica, sem surpresas, despachado com quatro temas, já que Paranoid and Sunburnt (1995), Stoosh (1996) e Post Orgamic Chill (1999) são os principais responsáveis pela máquina do tempo instalada no frio de Lisboa.

Os Skunk Anansie também são uma dicotomia temporal. A pausa de oito anos fez com que haja temas mais saudosistas, como "Weak" ou "Hedonism", que têm um refrão ainda muito orelhudo para o clã português. Mas também há uma nova cara, com "Love Someone Else" ou "That Sinking Feeling", do disco mais recente.

Ainda assim, não podemos falar de calma, quando falamos dos britânicos. A loucura, a anarquia e o caos são palavras de ordem em muitos temas, que se tornaram intemporais para o conjunto.  O elétrico “Twisted – Everyday Hurts” faz tremer o chão do Coliseu, seja pela quantidade de pessoas a saltar, seja pela intensidade do baixo do Cass. "Yes, It’s Fucking Political", a identificar as posições anti-Brexit da banda ou “Little Bay Swastikkka”, para além do conteúdo da mensagem, são sons poderosos para chamar a energia de cada um. A primeira despedida faz-se com o voto de resistir às crises políticas que atravessamos.

No encore ainda houve tempo para soprar as velas e cantar os parabéns, tanto em inglês como em português. Com a oportunidade de ouvir pela primeira vez em solo luso o “Tracy’s Flow”, chegamos à reta final do concerto.

“Charlie Big Potato”, a rebentar com as colunas de som do Coliseu, satisfizezo público. Com direito a repetição do início, porque tinha sido bom demais. Quando se pensava que o espectáculo já tinha terminado, Skin volta atrás e ainda propõe tocar mais uma. Em modo acústico, “You’ll Follow Me Down” enche o coração do público e também o torna mais jovem. Afinal de contas, ouvir Skunk Anansie para muitos foi voltar ao seu tempo de adolescente.

Fotos: Rita Sousa Vieira

Autor: Carlos Vieira

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